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Garagens devem inovar para crescer

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Gestores de estacionamento já enxergam uma melhora no tráfego de veículos e do tíquete médio, mesmo que pequena. Isso, contudo, não deve ser o suficiente para retomar os patamares vistos antes da crise. A tendência é que a demanda perdida para as alternativas de mobilidade tragam à tona a necessidade de uma mudança estrutural no setor.“Houve uma mudança de comportamento, portanto haverá recuperação apenas no que diz respeito a crise econômica”, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark), Marcelo Gait. Segundo ele, os impactos provocados pelas alternativas de locomoção – como aplicativos de mobilidade, alta procura por transporte público e sistemas de bicicletas compartilhadas – devem ser mantidos.Para ele, no futuro será necessário agregar serviços e valores à atividade, como locais para carregar carros elétricos, pontos de coleta e devolução de automóveis compartilhados e manutenção de veículos autônomo.“Há que se acrescentar serviços que gerem conveniência para quem usa o espaço. Estamos atentos às mudanças e temos várias frentes, mas nada concreto. Estudamos a vialibilidade e a demanda”, contou o CEO do Grupo Pare Bem, Marcelo Nunes ao DCI.Sem citar os projetos, o CEO da Estapar, André Iasi, afirmou que o investimento feito em tecnologia e inovação coloca a empresa “em uma ótima posição para gerar novas linhas de negócios e oportunidades em mobilidade urbana, que vão além da operação de estacionamentos.”Enquanto isso, melhorar a operação e rentabilizar o negócio tem sido a grande saída. Tanto a francesa Indigo quanto a Pare Bem apostam em operações 100% remotas. “Hoje temos 20 operações não apenas monitoradas, mas operadas de forma remota, mas a perspectiva é de expandir ano a ano. Nem todas as operações podem ter o modelo, mas o potencial é grande”, diz Nunes da Pare Bem. Na Indigo, o modelo iniciou no Estacionamento Edifício Garagem Spot, em Porto Alegre (RS).Nunes comenta que a tecnologia tem sido uma grande aliada, inclusive, para ajudar na melhora do tíquete médio. “O cenário não permite reajuste, mas usamos dados para aplicar aumento de tarifa de modo inteligente vendo o perfil de estadia.” Em uma de suas operações, por exemplo, é possível através da reserva online escolher entre três opções com preços diferentes.

Desempenho

Segundo Gait, no estado de São Paulo, a projeção para o ano é de leve alta entre 2% e 3% e os reajustes ocorram “dentro da nova realidade”. Mesmo não sendo o suficiente para recuperar o perdido na crise, ele diz que o setor terá uma “retomada”, assim que o mercado imobiliário voltar.Na observação do diretor comercial da Indigo, Roque Perachi, o desempenho dos estacionamentos varia por segmento e o local. “No centro da cidade de São Paulo (SP), por exemplo, sofreram mais e continuam sofrendo”, aponta. Por isso, ele destaca que tem aumentado o foco em segmentos mais resilientes, como o hospitalar, que hoje representa 16% de sua carteira. “Em março de 2018, na comparação com março de 2017, tivemos aumento no fluxo de veículos de 6,7% se considerada a mesma base e de 48% , considerando as aberturas”.Além disso, a empresa tem buscado contratos de longo prazo, em que há investimento no ativo. “Não era comum no Brasil. Dificilmente os contratos tinham mais de quatro anos. Nos últimos anos conseguimos contratos que vão de sete a 10 anos”, acrescenta. Este ano a empresa espera atingir faturamento de R$ 800 milhões.A Indigo espera manter o ritmo de expansão de 30 unidades por ano e uma estratégia que deverá ganhar mais relevância para manter este plano são as aquisições. “A crise se converteu em oportunidade porque fazemos investimento com capital que vem da França”, conta. Hoje a empresa tem duas negociações em estágio avançado.Segundo ele, hoje o Brasil é o país que mais cresce no grupo e em virtude disso, a expectativa é que boa parte dos investimentos previstos do grupo venham à região. Em 2019, os aportes do grupo serão de US$ 150 milhões em toda a operação global.

 

Fonte: DCI.

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